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CENTRO OESTE,17/04/2026

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    Saúde anuncia R$ 12 milhões para enfrentamento da doença de Chagas

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    Saúde anuncia R$ 12 milhões para enfrentamento da doença de Chagas


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    O Ministério da Saúde anunciou R$ 12 milhões para o fortalecimento de ações de vigilância e controle da doença de Chagas em 17 estados brasileiros. Em nota, a pasta informou que o recurso fortalece a capacidade de atuação contínua em 155 municípios considerados prioritários, apoiando ações essenciais como captura e monitoramento de vetores, vigilância e resposta rápida a focos.

    No comunicado, o ministério destaca que Anápolis (GO) e Goiânia foram reconhecidos com selo bronze de boas práticas para eliminação da transmissão vertical da doença de Chagas e que a enfermidade ainda representa um desafio importante para a saúde pública, sobretudo em áreas com maior vulnerabilidade social e com a presença de vetores.



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    “Estamos direcionando recursos com base em critérios técnicos, o que permite maior efetividade das ações e impacto direto na redução da transmissão. Nosso compromisso é ampliar o diagnóstico, garantir o tratamento oportuno e avançar de forma consistente na eliminação da doença como problema de saúde pública no Brasil”, informou a secretária de Vigilância em Saúde e Meio Ambiente da pasta, Mariângela Simão.

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    Seleção



    De acordo com o ministério, a seleção de municípios foi baseada em critérios técnicos que consideram a interação dos insetos vetores com o ambiente e a vulnerabilidade social, com prioridade para cidades classificadas como de risco muito alto em índice composto (presença de vetores e condições socioambientais) e localidades com registro recente do vetor.



    Também foram considerados municípios com alta prioridade e muito alta prioridade para a forma crônica da doença de Chagas, concentrados principalmente nas Regiões Nordeste e Sudeste.



    Pesquisa



    A pasta anunciou ainda, em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a fase 2 do projeto Selênio como tratamento na cardiopatia crônica da doença de Chagas, que busca avaliar a eficácia e a segurança do mineral como estratégia terapêutica complementar para pacientes com cardiopatia chagásica crônica. Serão investidos, ao todo, R$ 8,6 milhões.



    A expectativa do governo federal é que a pesquisa gere evidências científicas mais robustas e representativas em diferentes perfis de pacientes.



    “Os resultados poderão subsidiar a avaliação de tecnologias à base de selênio — substância com ação antioxidante e anti-inflamatória — para proteção cardiovascular, além de apoiar sua possível incorporação ao Sistema Único de Saúde (SUS)”, avaliou o ministério.



    Números



    O cenário epidemiológico da doença de Chagas no Brasil reforça a urgência de medidas de enfrentamento. Em 2024, foram registrados 3.750 óbitos, com maior concentração no Sudeste. No mesmo período, houve 520 casos agudos, principalmente no Norte, com destaque para o Pará.



    Já em 2025, dados preliminares indicam 627 casos agudos (97% no Norte) e 8.106 casos crônicos, concentrados em Minas Gerais, na Bahia e em Goiás, evidenciando a persistência da doença em áreas endêmicas.



    Entenda



    A doença de Chagas é uma infecção causada por um parasita chamado Trypanosoma cruzi e que pode evoluir em duas fases:



    - Fase aguda: acontece logo após a infecção. A pessoa pode apresentar sintomas ou não.



    - Fase crônica: pode surgir anos depois. Em muitos casos, a pessoa não apresenta sintomas, mas a doença pode causar problemas no coração e no sistema digestivo.



    Os triatomíneos são insetos conhecidos como barbeiro, chupão, procotó ou bicudo. Eles passam pelas fases de ovo, ninfa e adultos. Tanto as ninfas quanto os adultos se alimentam de sangue e, quando estão infectados, podem transmitir o parasita da doença de Chagas.



    A transmissão pode acontecer de diversas formas:



    - Vetorial: quando as fezes do barbeiro infectado entram em contato com feridas na pele ou mucosas após a picada.



    - Oral: pela ingestão de alimentos ou bebidas contaminadas com o parasita.



    - Vertical (congênita): da mãe infectada para o bebê durante a gravidez ou o parto.



    - Transfusão ou transplante: por sangue ou órgãos de doadores infectados.



    - Acidental: contato com material contaminado, geralmente em laboratórios ou durante a manipulação de animais silvestres.



    Na fase aguda, os sintomas mais comuns são:



    - febre por mais de sete dias e dor de cabeça;



    - fraqueza intensa, inchaço no rosto e nas pernas;



    - ferida parecida com furúnculo no local da entrada do parasita (em casos de transmissão pelo barbeiro).



    Já na fase crônica, logo de início, a pessoa pode não sentir nada. Com o tempo, podem surgir:



    - problemas no coração, incluindo insuficiência cardíaca;



    - problemas digestivos, como aumento do intestino (megacólon);



    - aumento do esôfago (megaesôfago).



    A prevenção da doença de Chagas, de acordo com o ministério, está diretamente ligada à forma de transmissão. Uma medida importante é evitar a presença de barbeiros nas casas, com ações feitas pelas equipes de saúde. Também é recomendado:



    - Usar telas em portas e janelas ou mosquiteiros.



    - Utilizar repelentes e roupas de manga longa, principalmente à noite e em áreas de mata.



    Para evitar a transmissão pelos alimentos, a orientação é:



    - Lavar bem frutas, verduras e legumes com água potável.



    - Observar os alimentos antes de triturar ou bater.



    - Manter o local de preparo limpo e protegido.



    - Guardar alimentos em recipientes fechados.



    - Realizar orientações e treinamentos para quem manipula alimentos.



     




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