Navio com mais de 1.200 corpos é encontrado após 80 anos no Pacífico
A embarcação desapareceu durante a Segunda Guerra Mundial
Pesquisadores da Hellships Memorial Foundation localizaram, após mais de oito décadas, os destroços do Hōfuku Maru, um navio japonês que afundou em 21 de setembro de 1944, durante a Segunda Guerra Mundial. A embarcação estava na costa oeste de Luzon, nas Filipinas, e transportava 1.289 prisioneiros de guerra britânicos e holandeses.
O naufrágio ocorreu depois que o navio foi atacado por aeronaves norte-americanas. Na época, o Hōfuku Maru fazia parte de um comboio japonês que seguia de Manila para o Japão. Como não apresentava identificação visual de transporte de prisioneiros, os militares aliados o trataram como um alvo militar.
A descoberta encerrou uma busca que durou mais de 80 anos. Os destroços foram encontrados a aproximadamente 50 metros de profundidade, na costa da província de Zambales, no norte das Filipinas.
Navio infernal
O Hōfuku Maru era um dos chamados “navios do inferno”, utilizados pelo Japão durante a guerra para transportar prisioneiros de guerra em condições extremamente precárias.
Os 1.289 prisioneiros a bordo eram britânicos e holandeses. Muitos já estavam debilitados porque haviam sido submetidos a trabalhos forçados, incluindo atividades relacionadas à chamada Ferrovia da Morte, construída entre a Tailândia e a Birmânia, atual Myanmar.
Os prisioneiros viajavam em porões superlotados e com pouca ventilação. Além disso, enfrentavam falta de água, alimentos e condições sanitárias adequadas.
O navio fazia parte de um comboio de embarcações que transportavam prisioneiros. Em 21 de setembro de 1944, mais de 100 aeronaves da Marinha dos Estados Unidos atacaram os navios.

O Hōfuku Maru foi atingido por bombas e torpedos. Os ataques provocaram danos graves e fizeram a embarcação se partir em duas partes. O navio afundou rapidamente.
Dos 1.289 prisioneiros que estavam a bordo, 1.047 morreram. Apenas 242 sobreviveram ao naufrágio, segundo registros históricos.
Ataque fatal
Naquele momento, os pilotos norte-americanos não sabiam que havia prisioneiros de guerra dentro do navio. O Hōfuku Maru navegava integrado a um comboio japonês e não possuía marcas visíveis que permitissem identificá-lo como uma embarcação destinada ao transporte de prisioneiros.
Essa característica era comum entre os chamados navios do inferno. Os navios eram frequentemente incorporados a comboios militares e, em alguns casos, não apresentavam sinais reconhecíveis para as forças aliadas. Assim, acabavam sendo atacados durante operações militares.
O naufrágio do Hōfuku Maru foi uma das grandes tragédias envolvendo prisioneiros de guerra aliados no mar durante a Segunda Guerra Mundial.
Por décadas, porém, a localização exata dos destroços permaneceu desconhecida. Registros militares japoneses e norte-americanos apresentavam informações diferentes sobre o local do ataque, dificultando as buscas.
Descoberta histórica
A investigação ganhou novo impulso depois que pesquisadores encontraram um documento militar japonês digitalizado com informações que ajudaram a indicar uma área mais precisa para a localização do navio. A equipe então cruzou os dados históricos com registros de ataques realizados pelas forças norte-americanas.

A busca contou com a participação do explorador e apresentador de televisão Josh Gates, em parceria com a Hellships Memorial Foundation. Os pesquisadores utilizaram sonar, imagens submarinas, registros históricos, plantas originais do navio e técnicas de fotogrametria para confirmar a identidade da embarcação.
Os destroços foram encontrados em duas grandes partes, a cerca de 50 metros abaixo da superfície. A equipe identificou características estruturais compatíveis com o Hōfuku Maru, além de marcas de danos que correspondem aos relatos do ataque de 1944.
Durante os mergulhos, pesquisadores também encontraram restos humanos entre os destroços. Por isso, o local passou a ser tratado como um túmulo de guerra.
A equipe não pretende retirar objetos ou restos mortais do naufrágio. A intenção é preservar o local e respeitar as vítimas que permaneceram no fundo do mar.
A descoberta também pode ajudar familiares dos prisioneiros mortos a localizar informações sobre seus parentes e estabelecer um local de memória para as vítimas.
O Hōfuku Maru faz parte de uma história maior. O Japão utilizou mais de 130 embarcações desse tipo durante a Segunda Guerra Mundial. Cerca de 20 mil prisioneiros de guerra aliados morreram em navios do inferno durante o conflito.
Agora, mais de 80 anos depois do naufrágio, a localização do Hōfuku Maru permite identificar o local onde mais de mil prisioneiros perderam a vida e preservar a memória de uma das tragédias marítimas da Segunda Guerra Mundial.
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