“Dark Horse”: PF investiga suposto desvio de dinheiro público para filme sobre Bolsonaro
Operação cumpre 49 mandados e mira deputado Mário Frias e produtora
A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quinta-feira (10) uma operação contra 29 pessoas que teriam participado de um esquema de desvio de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares para o filme “Dark Horse”, sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro. A Controladoria-Geral da União (CGU) participa das investigações.
A medida foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino, no âmbito da investigação que apura o possível desvio de recursos destinados ao filme. Ao todo, são cumpridos 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e no Distrito Federal.
Entre os alvos estão o deputado federal Mário Frias (PL-SP), autor das emendas parlamentares, e a produtora Karina Gama. O caso chegou ao STF por meio de uma representação apresentada pela deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP).
Em conversa com a coluna, Karina Gama afirmou que a aplicação dos recursos foi correta. “Não tenho nada para delatar”, afirmou.
Suspeitas investigadas
Investigado em outro processo, sob relatoria do ministro André Mendonça, por ter pedido dinheiro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para o filme, o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) não é alvo da operação desta quinta-feira.
Em nota, a PF afirma que “as investigações apontam a existência de uma organização criminosa, formada por agentes públicos e privados, suspeita de direcionar os valores recebidos para empresas subcontratadas de forma irregular, sem comprovação da efetiva prestação dos serviços contratados. As tentativas de dissimular os desvios teriam se estendidos até julho deste ano”.
A corporação afirma ainda que “levantamentos financeiros identificaram, ainda, movimentação da ordem de centenas de milhões de reais entre as empresas que integram o esquema investigado”.
Segundo a PF, “estão sendo investigados os crimes de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes licitatórios”.
Desgaste eleitoral
O filme também tem sido motivo de desgaste para a campanha de Flávio Bolsonaro.
No dia 16 de novembro, às vésperas da prisão de Daniel Vorcaro e da liquidação do Banco Master pelo Banco Central, o senador enviou uma mensagem ao ex-banqueiro: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”. A informação foi revelada pelo site The Intercept Brasil em 13 de maio de 2026.
Dois meses antes, o senador escreveu ao dono do Banco Master para pedir dinheiro para “Dark Horse”, filme sobre seu pai, o ex-presidente condenado por tentativa de golpe de Estado Jair Bolsonaro.
Na primeira pesquisa do Datafolha feita integralmente após a eclosão do caso, divulgada em 22 de maio, o presidente Lula (PT) ampliou de três para nove pontos a vantagem sobre o senador pelo PL do Rio na simulação de primeiro turno. Lula marcou 40%, ante 31% de Flávio Bolsonaro.
Desde então, porém, essa distância vem diminuindo, após casos como os inquéritos contra Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e a divulgação de supostas mensagens entre Vorcaro e o ministro do STF Alexandre de Moraes.
A pesquisa do Datafolha divulgada na última quinta-feira (3), feita parcialmente durante a eclosão dos diálogos de Moraes e do agravamento da crise institucional no STF, aponta que Lula (PT) tem 38% das intenções de voto no primeiro turno, ante 33% de Flávio Bolsonaro (PL).
Um novo levantamento será divulgado nesta sexta-feira (11).
Ligação com Prefeitura
Dino também avocou para o STF a investigação que a Polícia Civil de São Paulo já fazia sobre o filme.
Em agosto, ele autorizou a PF a ter acesso a dados da investigação da polícia paulista que envolve a produtora audiovisual Go Up Entertainment, responsável pelas gravações do filme “Dark Horse” em contratos com a Prefeitura de São Paulo. Karina Gama é a dona da empresa.
Em junho, a Polícia Civil de São Paulo deflagrou uma operação em endereços ligados à produtora e em uma secretaria da Prefeitura de São Paulo, como parte de um inquérito que apura se houve irregularidades e desvios de um contrato municipal e se os recursos foram destinados à equipe do longa-metragem.
A suspeita é de que os recursos tenham sido desviados de um contrato de R$ 108 milhões firmado entre a gestão Ricardo Nunes (MDB) e o ICB (Instituto Conhecer Brasil), presidido por Karina Ferreira da Gama, que é dona da produtora. O contrato previa fornecimento de wi-fi gratuito a comunidades carentes.
Na decisão em que determinou o retorno de Andrei Rodrigues ao comando da PF, na quarta-feira (9), Dino citou o impacto do afastamento do diretor-geral sobre as investigações do caso.
Veja trailer
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