Ferrovia entre Goiás e Distrito Federal não passou de um sonho dos dois governos
Ideia que encheu de esperança a população do Brasil Central, a linha férrea para o transporte de passageiros ligaria as duas capitais e várias cidades, inclusive Anápolis
Batizado, inicialmente, de Expresso Pequi o projeto planejado de um trem regional de alta performance entre o Distrito Federal e Goiás previa a ligação entre Goiânia e Brasília, com cerca de 211 quilômetros de extensão e paradas em cidades como Anápolis, Águas Lindas de Goiás e Santo Antônio do Descoberto. As composições trafegariam a uma velocidade média de 160 quilômetros/hora e o percurso teria a duração de um hora e meia. Os estudos de viabilidade da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) estimaram, inicialmente, o custo entre sete bilhões e 850 milhões e nove bilhões e meio de reais, através de uma parceria público-privada (PPP). Mas, o sonho durou pouco. O projeto foi engavetado e teve suas atividades interrompidas.
Do ponto de vista econômico, análises feitas à época apontaram desafios de retorno financeiro para curto e médio prazos com a operação exclusiva de passageiros no trecho. Na exposição de motivos, os planos para o Expresso Pequi, transporte ferroviário que conectaria os passageiros de Goiânia a Brasília, com escala em Anápolis e outras cidades do percurso, ‘saíram dos trilhos’ e foram, totalmente, arquivados. Caso o projeto não tivesse sido engavetado, o Expresso Pequi seria um Trem de Alto Desempenho que ligaria as duas capitais (Goiânia e Brasília) em, apenas, 95 minutos, com uma velocidade média de 160 quilômetros/hora. O bilhete, entre 1915 e 1916 (há mais de uma década), tinha previsão de custar, aproximadamente, 80 reais.
Os custo
De acordo com pesquisas feitas na ocasião, no primeiro ano de funcionamento, mais de 40 milhões de passageiros passariam pelo Expresso Pequi. Isto, com base no ano de 2015. A publicação, feita pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) em junho de 2016, mostrou que o custo de implantação da linha seria de, em média, sete bilhões de reais, sem considerar o material rodante. Já com os comboios, o valor saltaria para sete bilhões e 850 milhões de reais. Assim, com as cifras bilionárias, foi prevista a necessidade de uma Parceria Público-Privada (PPP). Em 2017, uma nova projeção foi realizada, com um custo de nove bilhões de reais.
O Expresso Pequi chegou a ser avaliado para entrar no Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) do Governo Federal. No modelo proposto, a União e os governos de Goiás e do Distrito Federal investiriam dois bilhões e 900 milhões de reais, aproximadamente. Também, de 2010 a 2017, governadores do DF e de Goiás viajaram ao exterior com suas comitivas em busca de investidores estrangeiros para o Expresso Pequi. Entretanto, o modelo só atrairia a iniciativa privada caso o poder público também entrasse com recursos, de acordo com os autores do estudo de viabilidade. Mas, a proposta não prosperou. Na época, o professor do Departamento de Engenharia Civil e Ambiental da Universidade de Brasília, Willy Gonzales, especialista em transporte urbano, disse que a demora em se implantar o trem-bala ligando Brasília a Goiânia postergava a possibilidade de desenvolvimento desse eixo e atrapalharia, ainda mais, o desenvolvimento entre as cidade de Anápolis e Goiânia e que “a implantação do trem de alta velocidade traria impacto em toda região (Brasília-Anápolis-Goiânia) e fortaleceria ainda mais Anápolis”, concluiu.
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