Os “Vinte e Poucos Anos” de uma geração que queria mudar o Mundo – Por Moacir de Melo


E cá estou eu, novamente, no reino encantado da poesia musicada. Agora, revivendo “Meus Vinte e Poucos Anos”, composição poética e musicada pelo cantor Fábio Júnior, que evoca uma geração de garra, vontade de vencer e mudar o mundo. E mudou para melhor, claro! A frase simbólica “eu não desisto assim tão fácil das coisas que eu quero fazer e ainda não fiz” representa uma geração que não se contentava com o status quo e ia à luta até vencer. Afinal, o que sobra de nós quando os sonhos se calam?
Sim, quando Fábio Júnior deu voz a essa composição, ele não estava apenas cantando sobre a transição para a vida adulta; estava assinando um manifesto sobre a finitude e a teimosia de existir. A música nos serve de espelho: ela reflete o medo de se perder, mas, acima de tudo, o pavor de se encontrar estático. Ora, se estamos todos com o pé na estrada, o que acontece quando decidimos estacionar a alma? Um dos maiores assassinos de sonhos é o medo de não dar certo.
No entanto, a letra propõe uma inversão de lógica: o erro é o rastro de quem está em movimento. Evidente que pior do que o erro que ensina é o acerto vazio de quem nunca tentou nada novo. Para os jovens e para aqueles que já dobraram a esquina dos vinte e poucos há muito tempo, o recado é o mesmo: o sonho é o combustível aditivado da resiliência. Sem ele, qualquer subida parece íngreme demais; com ele, a estrada se torna o destino.
Mais do que isso, a letra da música reflete a liberdade de ser autêntico: “Nem por você nem por ninguém eu me desfaço dos meus planos” traduz a necessidade humana de preservar a própria essência diante das pressões do cotidiano. Quantas vezes a vida tenta nos convencer a abandonar projetos, sufocar talentos ou desistir de nós mesmos? A canção responde exatamente ao contrário: permanecer fiel aos próprios sonhos é também um ato de coragem.
Talvez seja por isso que a música continue tão atual, atravessando gerações sem perder a força. Ela conversa com jovens que iniciam suas jornadas, mas também com aqueles que carregam experiências e ainda conservam dentro de si desejos, planos e esperanças.
Contudo, parece-me que manter os sonhos vivos em um mundo que nos pede pressa e pragmatismo acaba sendo um ato de rebeldia. Que sejamos, pois, todos rebeldes. Que a letra de Fábio Júnior não seja apenas uma recordação nostálgica, mas um lembrete constante: enquanto houver estrada, há tempo. Enquanto houver sonho, haverá vida.
Bons sonhos futuros!
Boas realizações!
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