Haja coração! Controlar a ansiedade e evitar excessos protegem o coração
Copa do Mundo gera forte emoção e exige cuidados médicos preventivos para evitar infartos
O clima de Copa do Mundo mexe profundamente com as emoções dos brasileiros. A famosa expressão “haja coração” ganha as ruas a cada partida, refletindo o turbilhão de sentimentos e o aumento natural da ansiedade entre os torcedores. Contudo, cardiologistas alertam que os dias de jogos decisivos pedem, acima de tudo, equilíbrio comportamental.
A preocupação central envolve o estilo de vida adotado e os excessos cometidos durante as comemorações. A recomendação principal é que os torcedores aproveitem as festividades com moderação, evitando associar o nervosismo a hábitos nocivos.
De acordo com o cardiologista Dr. Giuliano Seraphim, do Ânima Centro Hospitalar, momentos de forte expectativa ativam respostas biológicas automáticas. O perigo real se consolida quando o torcedor ignora os limites do próprio corpo.
Sob estresse emocional elevado, o organismo libera adrenalina e noradrenalina. Elas promovem o aumento da pressão arterial, elevam a frequência cardíaca e provocam a vasoconstrição. O risco severo surge para indivíduos mais suscetíveis ou que possuem fatores de risco silenciosos e ainda não diagnosticados.
Combo perigoso
O risco cardiovascular é potencializado quando o estresse do jogo se soma a hábitos nocivos comuns em dias de festa. A combinação entre o consumo de álcool, o uso de tabaco e a ingestão de alimentos gordurosos cria um ambiente hostil para as artérias. Essa sobrecarga independe de um diagnóstico prévio de cardiopatia.
O álcool atua como um potente estimulante cardíaco, elevando diretamente o risco de arritmias, infartos e derrames. O cigarro agrava severamente esse cenário, pois induz a vasoconstrição. Para completar o combo, as alimentações pesadas provocam má digestão que pode mascarar os sintomas de um problema cardíaco grave.
Um dos grandes desafios clínicos é a diferenciação entre uma crise de ansiedade típica e um evento cardíaco real. A dor torácica de origem cardíaca é descrita como um aperto forte ou peso no peito. Ela dura mais tempo que o habitual e frequentemente apresenta irradiação para a mandíbula, pescoço, braços ou costas, vindo acompanhada de sudorese fria e falta de ar. Em qualquer situação de dúvida, o paciente deve procurar imediatamente um serviço de emergência hospitalar.
Prevenção contínua
A principal estratégia para curtir as festividades com total segurança é a prevenção primária, mantida de forma contínua durante todo o ano. Para quem já possui fatores de risco estabelecidos, como hipertensão e diabetes, a orientação médica absoluta é jamais interromper o tratamento medicamentoso de uso contínuo nos dias de jogos.
Para indivíduos acima de 35 anos, manter os exames de rotina atualizados com consultas especializadas, triagem laboratorial e eletrocardiograma é o pilar mais seguro para identificar riscos silenciosos. Adicionalmente, dados científicos comprovam que a incidência de infarto agudo do miocárdio no Brasil aumentou entre 4% e 8% especificamente nos dias de jogos da Seleção Brasileira em Copas anteriores. (Com informações da DGBB Comunicação).
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